Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Lutar, criar, Reciclagem Popular!
Ferramentas Pessoais
Acessar
This is SunRain Plone Theme
Você está aqui: Página Inicial / Sobre o Movimento / Notas e declarações / Analise de Conjuntura do MNCR 2018/2019

Analise de Conjuntura do MNCR 2018/2019

por Setor de Comunicação MNCR publicado 18/12/2018 16h15, última modificação 19/12/2018 11h55
Produzida coletivamente pelos participantes de caravanas na Vigília LULA LIVRE, Curitiba, no dia 13/12/2018

A análise de conjuntura é um equipamento para se olhar a realidade, para facilitar a entender a realidade, descrevendo esta realidade a partir dos diferentes olhares, do olhar de cada um sobre o que está acontecendo hoje.

Na década de 60 houve um fenômeno no Brasil, chegaram as máquinas no campo que expulsaram muitos trabalhadores , os quais vieram para as cidades em busca de trabalho.Nas cidades não encontraram onde morar e assim surgiram as favelas. Também não tinham emprego e começaram assim com a catação de materiais no lixo para sobreviver.

Nos anos 90 estas pessoas, catadores de materiais recicláveis começaram a organizar as associações e cooperativas, e partir dai começaram a se encontrar, a se reconhecerem como iguais, até que em 2001, 1800 catadores e cerca de 3000 moradores em situação de rua se juntaram em Brasilia no I Congresso de Catadores de Materiais Recicláveis para discutir seus problemas de saúde, de falta de reconhecimento do trabalho dos catadores pelas Prefeituras, a existência de crianças na catação e nos lixões, e outros. Como forma de lutar contra estes problemas, se organizou o Movimento Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (MNCR).

Já como fruto da ação do MNCR, em 2002, a profissão de catador foi reconhecida na CBO –Classificação Brasileira de Ocupação. A partir de 2003, com a posse do Presidente Lula, os catadores foram recebidos no Palácio do Planalto e uma série de ações começaram a ser desenvolvidas com o apoio do Governo Federal para o reconhecimento e fortalecimento da categoria. Pela primeira vez os catadores tiveram acesso a uma reunião do CONAMA para discussão do papel que desempenham para o meio ambiente e outras tantas ações foram desenvolvidas, entre elas: ações de capacitação de catadores em todo o país, criação do Comitê Interministerial de Inclusão dos Catadores, construção de galpões e aquisição de equipamentos para os galpões e algumas políticas públicas visando a inclusão dos catadores começaram a ser instituídas, como o primeiro mapeamento oficial de catadores no Brasil, projetos do Ministério de Desenvolvimento Social que ajudaram a organização dos catadores, a obrigação de doação dos materiais recicláveis dos órgãos públicos federais para as organizações de catadores (Decreto federal 5.940/2006), a dispensa de licitação para a contratação dos catadores como prestadores de serviço de coleta seletiva, aprovada junto a Política Nacional de Saneamento que foi promulgada no ano de 2007 (Lei Federal 11.445/2007), a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, que indica a prioridade dos catadores como atores da gestão de resíduos e reciclagem, a criação das redes de organizações de catadores que foi fomentada por programas de apoio do Governo.

Também a partir de 200, e a cada ano, até o ano 2016, foi celebrado o Natal dos catadores com o Presidente da República, incialmente debaixo de um viaduto em São Paulo e posteriormente nas Expocatadores, uma grande feira de reciclagem do Brasil e da América Latina organizada pelo MNCR. Este reconhecimento vindo do Governo Federal serviu também para abrir as portas e outras esferas públicas e privadas. O catador que antes era chamado de “lixeiro” e não tinha qualquer valor, hoje está organizado em cooperativas, e centrais de comercialização e redes solidárias.

Hoje, o Presidente que propiciou todos estes direitos aos catadores teve os seus direitos cassados e está preso. A situação dos catadores hoje é muito melhor do que no inicio desta história, muita luta foi travada, muito foi alcançado, mas muito há para ser feito. Principalmente neste momento de conjuntura adversa em que um governo que trata os movimentos como criminosos se prepara para mandar no Brasil.

A história do Brasil sempre foi de preconceito com os pobres e com os excluídos, e quando o Brasil descobre o pre -sal e resolve, por decisão do governo, usar esta riqueza para melhorar as condições de vida dos brasileiros, os ricos do Brasil se juntam aos poderosos do mundo para organizar um golpe político e assim poderem assumir esta riqueza, sem ter que distribui-la. Da mesma maneira, depois que os catadores mostraram ao Brasil o valor que pode haver naquilo que a sociedade descarta como lixo, muitos empresários enxergam hoje oportunidades de negócios que querem explorar, excluindo os catadores.

Essa situação apresenta aos catadores alguns desafios. O primeiro é a retomada da organização de base. É preciso retomar o diálogo com as bases, retomar as atividades de capacitação não só para que esta historia do Movimento não deixe de ser reconhecida pelos novos catadores, aqueles que estão chegando, mas também para que todos possam estar unidos em relação as táticas utilizadas pelo Movimento para reforçar a estratégia de fortalecimento constante da categoria e de ocupação do justo espaço que os catadores reivindicam na cadeia da reciclagem e da gestão de resíduos.

Há também a necessidade de fortalecer a formação técnica dos catadores, para que posam fazer a gestão eficiente de seus negócios solidários, atuando em pé de igualdade com os empresários e Prefeituras, provando o valor do importante trabalho social, ambiental e econômico que realizam, falando na mesma linguagem, mas sem perder a identidade de catadores.

Outra importante necessidade é reforçar os canais de comunicação do MNCR – site, redes de Whatsapp, facebook, e todas as redes sociais, para informar aos catadores e catadoras da verdade sobre o trabalho e a ação do dia a dia, evitando as distorções tão recorrentes hoje. Além disso, estes canais têm que ser também instrumentos de organização das bases, levando e recebendo informações, e permitindo o alinhamento das ações em todos os Estados do Brasil.

Os avanços alcançados impõem aos catadores organizados a obrigação de atuar para incluir na gestão integrada de resíduos os catadores que hoje atuam nos lixões e nas ruas dos municípios brasileiros de maneira precária. Impõem também a obrigação de formar continuamente novas lideranças para ampliar capacidade de ação.

Somos mais fortes e conhecemos nossos direitos e independente das posições politicas dos governos, como movimento temos que continuar a lutar, sempre, sempre, sempre!!!

registrado em:

Navegação