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Experiências Internacionais na Expocatadores 2016

por Flávia Cortez - Trópico em Movimento — publicado 05/12/2016 16h09, última modificação 05/12/2016 16h09
Evento permitiu troca de experiência entre catadores de diversos países da América Latina e França
Experiências Internacionais na Expocatadores 2016

Foto: Marco Aurelio Prates

No segundo dia do evento a troca de experiências internacionais sobre resíduos foi destaque na programação. Durante a manhã com a palestra “Construindo uma plataforma de Lixo Zero: o caso de Berkeley – California – EUA”, no auditório, e a Mesa de Diálogo “Políticas Públicas para a Reciclagem Inclusiva na América Latina”, no “Espaço Papelão”. À tarde, o tema no auditório foi “Compartilhando experiências de valorização dos resíduos e da reciclagem inclusiva na França” que trouxe diferentes exemplos de empresas sustentáveis e associações francesas de reutilização.

Os representantes da Rede Latino Americana e do Caribe de Recicladores (Red Lacre) Nohra Padilla e Silvio Ruiz, da Colômbia; Exequiel Estay  e Alvaro Alaniz, do Chile; e Severino Lima, do Brasil,  fizeram uma apresentação dos dados levantados pela Rede sobre a situação dos recicladores (como convencionaram chamar os catadores) na América Latina. O antropólogo e consultor de reciclagem inclusiva, Alvaro Alaniz, mostrou em sua apresentação que “a Gestão de Resíduos Sólidos na América Latina está tendendo a novos enfoques que incorporam a reciclagem, mas não necessariamente o reciclador”, dizia o texto de abertura.

O estudo feito em 19 países buscou compreender a reciclagem inclusiva no continente e mostrou dados discrepantes, por exemplo, 61% dos países pesquisados têm políticas públicas para Gestão de Resíduos Sólidos (GRS) que inclui os recicladores, enquanto 39% não inclui. Porém, apenas 28% destas políticas públicas são realmente implementadas. Ademais, em 64% das políticas públicas de GRS, o reciclador tem somente um nível de inclusão de reconhecimento básico, ou seja, é citado, sem uma efetiva participação. Nesta mesma análise, apenas 19% das políticas públicas paga pelo serviço do reciclador, ou seja, é reconhecido, incluído e formalizado.

De acordo com a catadora da Associação Nacional de Recicladores da Colômbia e membro da Red Lacre, Nohra Padilla, “o continente se caracteriza pela desigualdade, para os recicladores mais ainda, mas na América Central é uma situação muito deplorável, mais que na América do Sul. Por exemplo, em Costa Rica estão pretendendo construir cinco incineradoras que valem um montão de milhões de dólares, mas não querem investir um peso nos recicladores”, comenta. Ela também diz que os recicladores estão em “uma guerra contra estratégias que tentam distrair, aparentar, substituir, diminuir a capacidade do inimigo, mas creio, sinceramente, que teremos  melhores recursos e centralidade na medida em que cada país, cada líder, cada organização saiba fazer seu papel, saiba promover maior unidade, representatividade e mais rapidez em estabelecer as conquistas”, afirma.

Em situações muito diferentes da América Latina, o espaço sobre a plataforma de Lixo Zero, na Califórnia, assim como as compartilhadas no espaço sobre as experiências de valorização dos resíduos na França, foram importantes para conhecer outras realidades onde, em geral, as alternativas para a questão dos resíduos foram bem sucedidas ou perpassam por problematizações diferentes.

O catador paraense Targino João, de 38 anos, da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis Visão Pioneira de Icoaraci (COOCAVIP), que participou da palestra Lixo Zero contou um pouco do que aprendeu, “lá tudo eles aproveitam, móveis eles lavam, pintam, põe pra venda, a parte de compostagem, o que é tirado da natureza é devolvido. É em cima disso que eu vou passar para o meu grupo, a gente vai tentar zerar mesmo o custo. A empresa te dá mais liberdade de trabalhar lá fora do que aqui no Brasil, porque enquanto as empresas aqui no Brasil tentam apertar a gente, pra não deixar a gente tirar o material, lá as empresas pagam pro pessoal tirar, papelão, móveis, todo tipo de objeto, e o imposto de lá é zero pra essas empresas”, disse.

O depoimento de Gilles Duffuler sobre a companhia GECCO na França rendeu discussão sobre o reaproveitamento do óleo para fabricação de biodiesel e muitos catadores presentes se interessaram em levar esse exemplo para suas cooperativas. A reutilização também foi um debate forte nos exemplos internacionais, tanto na campanha Lixo Zero, como na experiência francesas compartilhada por Camille Rognant e Martin Bobel, da Rede Franciliana de Reuso de Paris, e Samuel Le Couer, da Associação AMELIOR (Paris), que trabalham nesta linha com baixo custo e visando, principalmente, o acesso de pessoas marginalizadas, como imigrantes, desempregados e aposentados a utensílios eletrônicos e roupas reutilizados.

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